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O cenário de um novo sonho

 

Quando criança costumava passar diversos períodos de férias na casa de minha avó. Ela não podia deixar sua rotina de trabalho para me dar atenção e, como cabeleireira, tinha em mim uma verdadeira auxiliar para as tarefas de manter limpos e organizados por cor e tamanho os “rolinhos de plástico” utilizados para fazer “permanente“ no cabelo de suas clientes, além de abrir a sala de espera do salão para que elas fossem atendidas de acordo com  a ordem de chegada, manter a limpeza e organização de toalhas, pentes, tesouras, etc. Passava as tardes acompanhando seus atendimentos e conversas com clientes antigas em verdadeiras sessões de terapia, típicas dos salões de antigamente.

Nos dias em que ela não fazia atendimentos (após anos de profissão e reconhecimento ela já tinha estabelecido uma rotina de trabalho apenas no período das tardes de quarta, quinta e sexta-feira), eu me ocupava com as inúmeras edições da revista Seleções de Reader Digest que meus avós assinavam, lendo artigos e buscando por encartes de publicidade dos cursos profissionalizantes à distância que na época eram oferecidos via correspondência. Interessavam a mim os encartes que traziam “fichas de cadastro de inscrição” a serem preenchidas para posterior envio pelos correios. Destacava as linhas pontilhadas e colecionava fichas de cadastro em branco criando um escritório imaginário, com escrivaninha improvisada, gaveta de fichas e formulários para clientes inventados, comuns ou celebridades da época, com informações documentais e endereços de diversos lugares do mundo aleatoriamente preenchidos nas fichas que agora eram “espetadas” em um recipiente de alumínio que minha avó utilizava para colocar óleo em sua máquina de costura e que a mim caracterizava o verdadeiro “processamento” da ficha de cadastro do cliente. Passava tardes inteiras neste processo, brincando da profissão que sonhava exercer um dia e pela qual tinha um fascínio até então inexplicável, um dia eu seria: Auxiliar de escritório.

Com o passar dos anos tudo mudou, veio a formatura do ensino médio, a faculdade, duas filhas e aquele antigo sonho foi esquecido ou transformado em novos desafios que, há quatorze anos atrás, resultaram na minha aprovação em concurso público para a atividade notarial em Santa Catarina e, há bem pouco tempo percebi que por outras vias tinha atingido aquele antigo sonho.

Durante todos esses anos pessoalmente ou por meio e com a ajuda das pessoas que hoje se juntaram a esse sonho como colaborares, preenchemos fichas de cadastro, analisamos documentos de pessoas e imóveis, reconhecemos assinaturas, autenticamos documentos, formalizamos a vontade das partes em diversos negócios jurídicos e a isso acrescento as antigas tarefas do salão da minha avó, organizar e manter todos os materiais em ordem,  organizar o atendimento de acordo com a hora de chegada dos clientes, ouvirmos seus problemas para tentarmos solucionar as pendências jurídicas relacionadas a contratos, divórcios, inventários, usucapião, entre tantos outros atos.

Nesse período houve muito amadurecimento pessoal e profissional de todas as pessoas envolvidas em cada uma dessas tarefas e posso dizer que evoluímos demais sob vários aspectos, inclusive porque não precisamos mais espetar as fichas para considera-las processadas, hoje tudo é informatizado, eletrônico, digital. Não dependemos mais apenas de uma pequena escrivaninha ou de uma pequena sala de espera pois hoje temos uma estrutura que oferece conforto, bem-estar, tempo médio de espera que não ultrapassa cinco minutos e um atendimento de qualidade.

Hoje fazemos parte da realidade local. Em Porto Belo todos sabem onde ficam os cartórios da cidade, todos fazem referência ao Cartório do Perequê, ao Cartório da Daisy, ao Tabelionato de Porto Belo, independentemente da opinião que tenham a respeito do que conhecem sobre nossos serviços. Uma grande parcela da população residente e dos turistas que por aqui passam o verão já conhecem nossa estrutura. É verdade que somos chatos, e isso é tema de outra publicação, mas a grande maioria de nossos clientes tem uma percepção positiva a nosso respeito, o que é referendado pelas constantes pesquisas que realizamos.

Neste caminhar, baseada em alguns modelos, repensei a estrutura física, investi na estrutura lógica, busquei contratar pessoas cujos valores fossem compatíveis com meus conceitos e oferecer a elas o treinamento técnico necessário, tudo com o objetivo maior de mudar a imagem que as pessoas têm sobre os cartórios. Acreditei, de forma ilusória, que fosse tudo lógico e racional e que tal qual uma fórmula matemática, bastaria somar alguns fatores para, imediatamente, obter o resultado esperado.

Com o passar do tempo descobri que o fator de sucesso mais importante nesta caminhada era a diferença que isso poderia fazer na vida das pessoas que se juntaram a mim nesse propósito, para compartilhar de um sonho pessoal que não era delas.

A todos os que permanecem e aos que já passaram pelo quadro de colaboradores, sempre enfatizei que este era um local temporário de aprendizado, para que, quando estivessem prontos, seguissem seus próprios sonhos pessoais. Demorou para entender que, ao contrário, deveria estimulá-las a seguir comigo, a tornar-se parte do sonho. Deveria conhecer melhor seus talentos individuais e fortalecê-los para que elas próprias descubram seu potencial, para que todo o tempo dedicado aos carimbos e cadastros seja um tempo de uma vida feliz que um dia recordarão com carinho.

Ao iniciar e acreditar em um plano de gestão que pretende que todos sejam escreventes notariais e que possam realizar com conhecimento, segurança e prazer qualquer das tarefas envolvidas em nosso cotidiano, entendi que estava diante de um novo sonho, um novo desafio e que, ao alcança-lo, terei de alguma forma contribuído para o crescimento pessoal e profissional dessas pessoas que então decidirão permanecer ou partir.

Os desafios são grandes, as decisões a tomar e as ações a implementar são inúmeras, mas apesar de reconhecer que é preciso respeitar o tempo e que a mudança pode ser lenta e gradativa, hoje tenho o desejo e a confiança de transformar cada ficha de cadastro preenchida, cada autenticação de documento, cada procuração ou escritura lavrada neste tabelionato, em uma semente da mudança e, com a ajuda dessas pessoas, regar com carinho, adubar o terreno para que essa semente germine e cresça feliz em cada um que por aqui passar, seja colaborador ou cliente e então, com o tempo, que isso se espalhe em toda a atividade notarial e por si só revele um novo paradigma.

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